Para que estudar Latim e Grego Clássico?

A verdade saindo do poço, de Edouard Debat-Ponsan, 1898.

 

Pra que estudar latim e grego clássico?

 

Sempre me causa uma certa angústia quando me perguntam pra que serve aprender latim e grego clássico, já que são línguas que não são mais faladas. Sempre acabo respondendo “para ler as obras escritas nessas línguas!”🙂

A verdade é que eu morro de vontade de responder algo do tipo:

Meu querido, eu ainda não sei nem pra que serve a vida na Terra! Não sei por que cargas d’agua uma mólecula se juntou a outra molécula no meio do oceano há milhões de anos atrás e começou a se reproduzir dando origem à vida, não sei pra que é que em dado momento uma criatura aquática resolveu botar o nariz pra fora de seu habitat e serpentear mundo afora, se transformando até virar ser humano! Não sei, não sei!

E aí, misturando os pra quês com os porquês, eu me recordo de uma aula de sintaxe latina sobre orações subordinadas causais e finais, sobre como a ideia de finalidade e de causa são intercambeáveis. Em príncípio, são a mesma coisa!

Lembro também que em grego a marca de futuro é uma desinência desiderativa, ou seja, o futuro é uma expressão de um desejo que ocorre no momento presente. Em português, o futuro se constrói com o verbo haver. Para nós falantes de português, falar sobre o futuro é, em princípio,  falar sobre aquilo que existe, aquilo que é. Aquilo que existe e aquilo que é agora!

Tudo que sei é que não faço a menor ideia de como responder satisfatoriamente a essa dúvida de maneira clara e sucinta. Mas se posso afirmar alguma coisa, é que todas essas (viagens) reflexões e tantas outras me ocorrem e ocorrem assim porque eu estudo latim e grego clássico. E é pra isso que eu estudo essas línguas.

“Eu já não sei se sei

De nada ou quase nada

Eu só sei de mim

Só sei de mim

Só sei de mim…” (Secos e Molhados)

Uma vez que a pergunta pra que serve estudar latim e grego clássico revela uma certa preocupação com o futuro e que o futuro é um desejo que existe no momento presente, responderei a sua pergunta com outra pergunta: você quer aprender latim e grego clássico?

A juventude de Baco, de William-Adolphe Bouguereau, 1884. Baco é o princípio da vida, a vontade.

Em caso de vontade em aprender uma dessas línguas, clique aqui!

Mas caso não queira:

Comamos, bebamos, sejamos felizes. Primeiro viver! Depois filosofar!😉

 

PS: Será que as pessoas querem a verdade? Ou é melhor fazer como os homens na pintura que abre esse post e jogar a verdade no fundo do poço?

Oitava Pítica, de Píndaro (trecho)

Píndaro, Oitava Pítica, vv 95-97.

ἐπάμεροι: τί δέ τις; τί δ᾽ οὔ τις; σκιᾶς ὄναρ
ἄνθρωπος. ἀλλ᾽ ὅταν αἴγλα διόσδοτος ἔλθῃ,
λαμπρὸν φέγγος ἔπεστιν ἀνδρῶν καὶ μείλιχος αἰών.

“Efêmeros! O que é alguém? O que não é alguém? O sonho de uma sombra,

isso é o homem! Mas quando o brilho do Sol dado por Zeus chega,

um esplendor radiante surge, ele torna-se forte e melodiosamente eterno.”

Tradução transcriativa por Beatris Ribeiro Gratti

Pitagóricos celebrando o surgimento do Sol, Fyodor Bronnikov, 1869.

 

 

 

Praxilla, poetisa, compositora (e diva pop!) da Grécia Antiga

 

 

Praxilla de Sícion foi uma poetisa, compositora e musicista de grande sucesso na Grécia do século V a.C. Compôs hinos aos deuses e odes dionisíacas apresentadas em festivais, porém, seu grande sucesso se deu por conta das músicas que compôs para serem apresentadas em festas e banquetes regados a muito vinho!

Apenas oito fragmentos de sua obra chegaram até nós, através de citações de comentadores e críticos. O sofista grego Zenóbio, que viveu no século II d.C., nos fala sobre a expressão “mais tolo que um verso de Praxilla” surgida por conta de um poema de Praxilla em honra ao deus Adônis em que ela usa uma expressão de duplo sentido ao comparar o sol, a lua e os astros a pepinos, peras e maçãs.  

Atribui-se a Praxilla a criação de um metro próprio, o praxilleion.

Especula-se se Praxilla teria sido uma hetaira, um tipo de prostituta sofisticada, por conta de sua participação nos banquetes, vetados às mulheres ditas “respeitáveis”. Porém, tudo o que se sabe ao certo é que Praxilla era uma musicista profissional, uma artista que alcançou não apenas o sucesso em seu tempo, mas a imortalidade.

Isso é que é uma diva pop! rsrsrs

Para saber mais sobre Praxilla, recomendo o seu verbete na wikipedia e no Project Continua (ambos em inglês).