Imperdível – Leitura dramática no Itaú Cultural, dias 17 e 18/3 em São Paulo

Importante, necessário, urgente. É assim que percebo a leitura de um texto como Antígona, de Sófocles, dentro da Ocupação Laura Cardoso, no Itaú Cultural, em São Paulo. Reescrevo aqui as palavras da diretora, Luciana Lyra:

“Em 1966, Laura Cardoso integrou a montagem de Antígona, fabulando o mito cenicamente e descortinando todo o anseio por justiça e questionamento de uma mulher acerca de ordem imposta por um governante, tudo isso na efervescência de um golpe militar em solo nacional. Seguramente, Laura, operária da artesania teatral, aliada aos seus parceiros de cena, não tomou parte deste grito ingenuamente, mas trouxe à superfície as implicações do abuso de poder e da superioridade masculina, revelando um tempo sombrio nos espelhos estilhaçados da narrativa mítica. A leitura dramática de Antígona, por mim dirigida na OCUPAÇÃO LAURA CARDOSO deseja justamente escavar os princípios de equidade urdidos na peça de Sófocles, agora compreendendo-a no atual contexto político brasileiro, de medidas suspeitas, desarticulação das lutas de mulheres e de outras minorias. Sinto que a exemplo de Laura, busco firmar o espaço do teatro, da arte, como um privilegiado lócus de re(existência), de compreensão de mundo, espaço da palavra proferida, do firme discurso ante às diferenças, na batalha pelo que é, indubitavelmente justo.”

Mais informações no site do Itau Cultural

Endereço
Avenida Paulista 149 São Paulo SP CEP: 01311 000 [Estação Brigadeiro do metrô]
Contatos e Informações Extras
fone 11 2168 1777 fax 11 2168 1775

Anúncios

Evento especial na Casa Guilherme de Almeida – dias 3 e 4/3 em São Paulo

Recebi através da página no Facebook a informação de que haverá um evento incrível na Casa Guilherme de Almeida, gratuito e aberto ao público. É necessário realizar uma rápida inscrição no site. Vejam que time de tradutores que estarão presentes!

evento-casa-guilherme-de-almeida

III ENCONTRO TRADUÇÃO DOS CLÁSSICOS NO BRASIL – RETRADUÇÕES EM DIÁLOGO

03 de Março de 2017 | 19h às 21h

(Centro de Estudos de Tradução Literária)

Coordenação: Marcelo Tápia

Nesta terceira edição do Encontro, que adota o tema “Retraduçőes em diálogo”, os participantes – ligados a diversas universidades brasileiras – apresentarão e comentarão traduções próprias, ou de outrem, de textos gregos e latinos  já antes traduzidos ao português, de modo a relacionar, comparativamente, os pressupostos, procedimentos e resultados entre as retraduçőes focalizadas e as anteriormente produzidas, tomadas como referência para o estabelecimento do “diálogo”.

PROGRAMAÇÃO

3/3, sexta-feira

19h – Abertura, por Marcelo Tápia (CGA)

19h15 – Conferência: Lírica grega hoje, por Trajano Vieira (Unicamp)

4/3, sábado

Manhã:

9h – Mesa-redonda: Brunno Vieira (Unesp), Roosevelt Rocha (UFPR), Adriane Duarte (USP)

10h45 – Intervalo

11h – Mesa-redonda: Ana Maria César Pompeu (UFC),  Robert de Brose (UFC), Érico Nogueira (Unifesp), Paulo Martins (USP)

13h15 – Intervalo

Tarde:

14h15 – Apresentação do Centro de Estudos de Tradução Literária da CGA, por Simone Homem de Mello

14h30 – Breno Sebastiani (USP), Rodrigo Gonçalves (UFPR), Raimundo Carvalho (UFES), João Angelo Oliva Neto (USP)

16h45 – Intervalo

17h – Jaa Torrano (USP), Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa (UFMG), André Malta (USP)

19h15 – Intervalo

19h30 – Encerramento: palestra-recital, por Guilherme Gontijo Flores (UFPR) e Grupo Pecora Loca

SINOPSES DAS APRESENTAÇÕES

Adriane da Silva Duarte (USP):
Aonde e de onde, caro Fedro? As traduções de Carlos Alberto Nunes e José Cavalcante de Souza para o Diálogo de Platão

A recente publicação da tradução inédita do Fedro, de Platão, por José Cavalcante de Souza (São Paulo: Editora34, 2016), convida a uma reavaliação das versões que este diálogo recebeu em língua portuguesa – até onde apurei, são cinco no Brasil e duas em Portugal. Dada a amplitude da tarefa, vou me concentrar na tradução de Carlos Alberto Nunes (Belém: ed.ufpa, 2011), buscando pô-las em diálogo.

Ana Maria César Pompeu (UFC):
Cavaleiros de Aristófanes: duas traduções comparadas

Salsicheiro ou Vendetripa? Paflagônio ou Barraqueiro? Agorácrito ou Bom de Feira? Compararemos as expressividades da tradução em prosa portuguesa de Maria de Fátima Sousa e Silva, de 1991, e da nossa tradução, com o Grupo de Estudos Aristofânicos – GEA, em versos livres, a ser publicada no primeiro semestre de 2017. Nossa proposta apresenta a adaptação dos nomes próprios das personagens principais, enfatizando a semelhança entre os políticos de Atenas e os feirantes.

André Malta (USP):
Medeia de Eurípides: 1 verso e 3 versões

Neste breve exercício, elejo um verso emblemático da Medeia de Eurípides e comento as soluções de Maria Helena da Rocha Pereira, Jaa Torrano e Trajano Vieira, tentando mostrar como elas revelam in nuce as diretrizes tradutórias de cada um deles.

Breno Sebastiani (USP):
Políbio em traduções

Tomando por base as duas únicas traduções de Políbio disponíveis em português até o momento, a de Mário da Gama Kury (1985) e a que publiquei no ano passado, cotejarei as noções de clareza, fidelidade e reprodução explicitadas como critérios da primeira com a noção de recriação do tom, ou do estilo, por meio da qual empreendi a segunda.

Brunno V. G. Vieira (UNESP):
Retraduzindo antigos grafites

Pretende-se, nesta fala, abordar a (re)tradução de textos encontrados em inscrições parietais antigas, especialmente as romanas. Muitas vezes, esses registros oferecem soluções bastante poéticas, seja pelo teor de seu próprio texto, seja projetando os sentidos que veiculam no desenho escrito que lhes serve de suporte. Tal característica faz de muitos deles exercícios ancestrais de caligrafia ou, em última análise, de poesia visual. Todavia, muitas vezes em suas traduções, a carga poética que resulta da intersecção de seu suporte com sua mensagem, fica em segundo plano. Assim sendo, refletir sobre uma retradução visual desses textos pode resultar em um interessante exercício de diálogo com experimentos poéticos e gráficos contemporâneos.

Érico Nogueira
Uma alusão de Rilke à elegia e à lírica romanas

O que se pretende, nesta comunicação, é apresentar uma tradução de Sonetos a Orfeu I 3, de Rainer Maria Rilke, interpretando-o como uma defesa de sua poética, a qual parece contrapor à elegia e à lírica romanas.

Guilherme Gontijo Flores e Grupo Pecora Loca (Guilherme Bernardes, Guilherme Gontijo Flores, Leonardo Fischer, Luana Prunelle, Marcelo Bourscheid, Raphael Pappa Lautenschlager, Rodrigo Gonçalves, Sérgio Maciel)
Tradução em performance

O objetivo desta apresentação é discutir as implicações da oralidade e do corpo na poética antiga, além de pensar em suas possibilidades via tradução e performance no presente. Mais do que dar a voz aos poetas do passado, podemos propor modos de os dar à voz.

Jaa Torrano (USP):
Antígona de Sófocles: Guilherme e Epígonos

A tradução de Antígona de Sófocles por Guilherme de Almeida, a meu ver, permanece uma referência inesquecível  ainda hoje, quando depois da dele já se publicaram pelo menos cinco traduções de Antígona em português . Dado o que há de inesquecível nesta “transcrição” (como G. de A. preferiu denominar a sua tradução), três questões intervêm: 1) Em que sentido se poderia considerar a tradução de G. de A. superada pelas posteriores? 2) Em que sentido se poderia considerá-la insuperável, ou, pelo menos, não superada pelas posteriores? 3) O que de novo uma nova tradução da Antígona de Sófocles deveria apresentar para justificar-se e justificar seu acréscimo ao espólio das já existentes?

João Angelo Oliva Neto (USP):
“Triste Catulo”: o Poema 8 Revisitado

Embora composto num metro comum em gêneros risíveis, até tempos recentes não se levava em conta esse dado em análises e em traduções que recebia o poema 8 de Catulo. Tendo eu, quando o traduzi, já tentado buscar alguma risibilidade no exagero melodramático que encontrei no léxico e em algumas locuções em português, tento agora obter algum efeito ridículo mediante dois procedimentos  diferentes daquele e diferentes entre si: a justaposição cacofônica das sílabas no fim do verso, justamente onde ele ocorre no metro original, e a justaposição da tonicidade nessas mesmas sílabas. Apresento a primeira tradução que fiz e o atual experimento, que deve, assim peço, ser entendido como tal, como tentativa a ser aprimorada para quem sabe tornar-se princípio ou ao menos ingrediente para traduzir outros poemas no mesmo metro.

Paulo Martins (USP):
A Cynthia de Propércio como Livro

Cynthia é o par amoroso de Propércio, entretanto o poeta a toma como sinônimo de poesia e de livro. Esta fala tem por objetivo verificar a partir de traduções poéticas a construção desse amálgama: mulher e livro, ou amante e poesia.

Raimundo Carvalho (UFES):
Metamorfoses em traduções

Análise contrastiva de trechos das traduções das Metamorfoses de Ovídio de Cândido Lusitano, Bocage, Castilho e a de minha própria lavra, buscando entender o modus operandi de cada tradutor em diálogo com as poéticas contemporâneas a cada qual.

Robert de Brose (UFC):
Píndaro traduzido e retraduzido: dialogando com a 1ª Ode Olímpica de Mario Faustino

Nesta fala procurarei estabelecer um diálogo entre a tradução da 1ª Ode Olímpica de Píndaro por Mario Faustino, feita do inglês e do francês e publicada no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil (03/11/1957), e a minha própria tradução, feita a partir do original grego. Minha intenção não é fazer uma crítica da tradução de Faustino, mas, ao contrário, tentar mostrar como traduções feitas a partir de outros idiomas não necessariamente perdem em “fidelidade” ou beleza. O objetivo principal da minha fala é estender o princípio eliotiano de que “true poetry communicates before it is understood” para a tarefa da tradução, isto é, de que “true poetry translates before it is understood”.

Rodrigo Gonçalves (UFPR):
Os hexâmetros de Lucrécio em cinco línguas

Nesta apresentação, pretendo analisar as características de emulações métrico-rítmicas de quatro traduções do De Rerum Natura de Lucrécio: a de Augustín García Calvo para o espanhol (publicada em 1997), a de Guillaume Boussard em francês (completa, ainda não publicada), a do proêmio em inglês por Rodney Merrill e a minha, integral e em andamento. Ao final, apresentarei uma proposta de aproximação das quatro traduções ao texto latino.

Roosevelt Rocha (UFPR):
A Sexta Nemeia de Píndaro em três traduções

Nesta comunicação pretendo comparar três traduções da Sexta Nemeia de Píndaro: a de Fernando Brandão dos Santos (1986/1987), que considero mais literal; a de José Ribeiro Ferreira (2006), mais prosaica; e a minha, ainda inédita, que considero a meio caminho entre uma tradução poética (mais atenta à forma) e uma tradução filológica (mais interessada no significado). Desse modo, pretendo explicitar que critérios adotei para realizar minha tradução.

Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa (UFMG), com participação do ator Cristiano Elias de Carvalho, que lerá trechos traduzidos pela convidada:
As estratégias de tradução de teatro em textos retóricos

Comentários à tradução de um dos mais conhecidos e bem considerados discursos de Lísias (aproximadamente de 459 a 378 a.C.) para pensar a tradução de obras do gênero oratório a partir do uso de estratégias de tradução de teatro. Filologia e oralidade atuando na recuperação de uma função retórica e dramática nos oradores áticos.

Trajano Vieira (Unicamp)

Lírica grega, hoje

Em termos de tradução poética dos líricos gregos, parece-me inegável que continuamos na retaguarda. Se, por um lado, tem havido avanço notável nos estudos acadêmicos nessa área no Brasil, as traduções, por outro, continuam no geral insossas e pesadas. Por que isso ocorre? Por “ilusão de literariedade”, isto é, pelo fato de os acadêmicos imaginarem que a tradução literal capta a essência do original? Outra razão talvez possa ser considerada a partir de uma reflexão de William Arrowsmith num importante ensaio sobre Eurípides. Creio que a tradução de interesse poético pode ajudar a retirar do limbo os líricos gregos e fazê-los dialogar com o que há de melhor na rica tradição moderna.

Grátis.

Esta atividade poderá contar como crédito de horas para o Programa Formativo para Tradutores Literários.

 

Marcelo Tápia, poeta, ensaísta e tradutor, é graduado em Letras (Português e Grego) e doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP). Autor de cinco livros de poemas, traduziu, entre outras obras, os romances Os passos perdidos (2008) e O reino deste mundo (2010), de Alejo Carpentier. É coorganizador do livro Transcriação (2013), de Haroldo de Campos. Tem ministrado cursos nas áreas de literatura e teoria da tradução em diversas instituições; atualmente, é professor pleno do Tradusp – Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução da FFLCH-USP. Dirige a Casa Guilherme de Almeida – Centro de Estudos de Tradução Literária, a Casa Mário de Andrade e a Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura.

[IOVIS DIES] Hino Homérico a Zeus 

[IOVIS DIES] Quinta-feira, Dia de Júpiter.

Ζῆνα θεῶν τὸν ἄριστον ἀείσομαι ἠδὲ μέγιστον, 

εὐρύοπα, κρείοντα, τελεσφόρον, ὅστε Θέμιστι 

ἐγκλιδὸν ἑζομένῃ πυκινοὺς ὀάρους ὀαρίζει. 

ἵληθ᾽, εὐρύοπα Κρονίδη, κύδιστε μέγιστε.

Cantarei Zeus, o maior e mais nobre dos deuses,

o eloquente, mestre, o que traz plenitude, que a Têmis,

sentada ao seu lado, inclina-se e conversa com perspicácia.

Seja auspicioso, eloquente filho de Cronos, o maior e mais honrado!
Hino Homérico a Zeus. Tradução de Bia Gratti.
Imagem: Jupiter Ammon. Séc. I d.C. Roma.

___________________________________

Aprenda Latim e Grego Clássico em 2017!

http://www.litterae.com.br