O Carpe Diem de Catulo

No primeiro post do blog mencionei a expressão carpe diem e contei de onde ela se originou. Pois bem, a expressão originou-se do poema de Horácio, mas a verdade é que podemos considerar o carpe diem um gênero literário, um lugar-comum nas produções poéticas, além de um verdadeiro estilo de vida, que nos exorta a saborear a vida ao máximo. Neste post eu apresento um poema do poeta Catulo (Caius Valerius Catullus 87/84? – 54/52? a. C.). Reparem como é forte o sentimento de urgência em viver a vida com o que ela nos apresenta de melhor: o Amor. O poema é dirigido a sua musa chamada Lésbia, uma alusão a grande poetisa Safo de Lesbos, do século VII a. C., (e que em breve será assunto de um post).

Catullus, V

Vivamus mea Lesbia, atque amemus,
rumoresque senum seueriorum
omnes unius aestimemus assis!
soles occidere et redire possunt:
nobis cum semel occidit breuis lux,
nox est perpetua una dormienda.
da mi basia mille, deinde centum,
dein mille altera, dein secunda centum,
deinde usque altera mille, deinde centum.
dein, cum milia multa fecerimus,
conturbabimus illa, ne sciamus,
aut ne quis malus inuidere possit,
cum tantum sciat esse basiorum.

Vamos viver, minha Lésbia, e fazer amor!

E os rumores dos velhos mais severos

Julguaremos todos de nenhum valor!

Os sóis podem morrer e retornar:

Para nós, uma vez morta a breve luz,

Há uma única e perpétua noite a ser dormida.

Dá-me beijos mil, depois cem,

Depois mil outros, depois um segundo cento,

Depois até outros mil, depois cem.

Então, quando tivermos feito muitos mil,

Vamos embaralha-los, para que não saibamos,

Ou para que nenhum malvado possa invejar,

Uma vez que saiba que são tantos os beijos.

(Tradução Beatris R. Gratti)

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2 comentários sobre “O Carpe Diem de Catulo

  1. Rodrigo disse:

    Encontrei hoje uma parte desse poema de Catulo no livro “A ilha” (Aldous Huxley):

    “[…] O sol se punha no Ocidente e sua luminosidade tinha um brilho quase sobrenatural.

    soles occidere et redire possunt:
    nobis cum semel occidit breuis lux,
    nox est perpetua una dormienda.
    da mi basia mille.

    Crepúsculos e morte. Morte e beijos. Beijos dos quais resultam nascimentos. Consequentemente, morte para outra geração de observadores de crepúsculos.”

    E o post me ajudou a traduzir.

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