Hino Homérico a Selene

Selene é a deusa grega da lua. Outras divindades também são associadas à lua, como Hécate e Ártemis,  mas apenas Selene era reconhecida como a própria lua e assim cantada pelos poetas.  Em suas representações encontramos o símbolo do crescente lunar adornando sua cabeça. Algumas vezes ela aparece montando um cavalo ou conduzindo uma carruagem de cavalos alados. Seu consorte é Endymion. Colocado num sono perpétuo, Selene descia do céu todas as noites para observá-lo dormindo.

Abaixo transcrevo o Hino Homérico a Selene, junto com uma tradução que fiz em 2010.

Εἲς Σελήνην

μήνην ἀείδειν τανυσίπτερον ἔσπετε, Μοῦσαι,

ἡδυεπεῖς κοῦραι Κρονίδεω Διός, ἵστορες ᾠδῆς:

ἧς ἄπο αἴγλη γαῖαν ἑλίσσεται οὐρανόδεικτος

κρατὸς ἀπ᾽ ἀθανάτοιο, πολὺς δ᾽ ὑπὸ κόσμος ὄρωρεν

αἴγλης λαμπούσης: στίλβει δέ τ᾽ ἀλάμπετος ἀὴρ

χρυσέου ἀπὸ στεφάνου, ἀκτῖνες δ᾽ ἐνδιάονται,

εὖτ᾽ ἂν ἀπ᾽ Ὠκεανοῖο λοεσσαμένη χρόα καλόν,

εἵματα ἑσσαμένη τηλαυγέα δῖα Σελήνη,

ζευξαμένη πώλους ἐριαύχενας, αἰγλήεντας,

ἐσσυμένως προτέρωσ᾽ ἐλάσῃ καλλίτριχας ἵππους,

ἑσπερίη, διχόμηνος: ὃ δὲ πλήθει μέγας ὄγμος

λαμπρόταταί τ᾽ αὐγαὶ τότ᾽ ἀεξομένης τελέθουσιν

οὐρανόθεν: τέκμωρ δὲ βροτοῖς καὶ σῆμα τέτυκται.

τῇ ῥά ποτε Κρονίδης ἐμίγη φιλότητι καὶ εὐνῇ:

ἣ δ᾽ ὑποκυσαμένη Πανδείην γείνατο κούρην,

ἐκπρεπὲς εἶδος ἔχουσαν ἐν ἀθανάτοισι θεοῖσι.

χαῖρε, ἄνασσα, θεὰ λευκώλενε, δῖα Σελήνη,

πρόφρον, ἐυπλόκαμος: σέο δ᾽ ἀρχόμενος κλέα φωτῶν

ᾁσομαι ἡμιθέων, ὧν κλείουσ᾽ ἔργματ᾽ ἀοιδοί,

Μουσάων θεράποντες, ἀπὸ στομάτων ἐροέντων.

À Selene

Sobre a Lua de asas largas cantem, ó Musas,

donzelas de Zeus, filho de Cronos, de fala suave e sábias ao cantar:

A partir dela, uma cintilação manifesta no céu ondula até a Terra.

De sua cabeça imortal, um grande ornamento surge

Da cintilação brilhante: a densa e sombria atmosfera cintila

com seu anel dourado, os raios brilham como o dia

quando banham a bela pele de Oceano.

Vestida com roupas que brilham ao longe, a divina Selene,

que subjuga potros radiantes que arqueiam alto o pescoço,

que ela conduza impetuosamente para frente os cavalos de belas crinas!

Noturna, dividindo o mês: a grande órbita se realiza

e os raios mais brilhantes do céu quando são crescentes:

o objetivo é também causar sinais aos mortais.

Então, certa vez, o filho de Cronos misturou o amor e o leito:

Grávida, deu a luz a uma donzela, Pandia,

tendo uma aparência distinta entre os deuses imortais.

Alegre-se, rainha, deusa da noite, divina Selene,

graciosa, de belos cabelos. Começarei a cantar a glória de seu homem

semi-deus, os aedos, os companheiros das musas,

amantes da boca, a celebrar os feitos dele.

Trad. Beatris Gratti

Selene e Endymion, de Sebastiano Ricci (1659-1734).

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