Imperdível – Leitura dramática no Itaú Cultural, dias 17 e 18/3 em São Paulo

Importante, necessário, urgente. É assim que percebo a leitura de um texto como Antígona, de Sófocles, dentro da Ocupação Laura Cardoso, no Itaú Cultural, em São Paulo. Reescrevo aqui as palavras da diretora, Luciana Lyra:

“Em 1966, Laura Cardoso integrou a montagem de Antígona, fabulando o mito cenicamente e descortinando todo o anseio por justiça e questionamento de uma mulher acerca de ordem imposta por um governante, tudo isso na efervescência de um golpe militar em solo nacional. Seguramente, Laura, operária da artesania teatral, aliada aos seus parceiros de cena, não tomou parte deste grito ingenuamente, mas trouxe à superfície as implicações do abuso de poder e da superioridade masculina, revelando um tempo sombrio nos espelhos estilhaçados da narrativa mítica. A leitura dramática de Antígona, por mim dirigida na OCUPAÇÃO LAURA CARDOSO deseja justamente escavar os princípios de equidade urdidos na peça de Sófocles, agora compreendendo-a no atual contexto político brasileiro, de medidas suspeitas, desarticulação das lutas de mulheres e de outras minorias. Sinto que a exemplo de Laura, busco firmar o espaço do teatro, da arte, como um privilegiado lócus de re(existência), de compreensão de mundo, espaço da palavra proferida, do firme discurso ante às diferenças, na batalha pelo que é, indubitavelmente justo.”

Mais informações no site do Itau Cultural

Endereço
Avenida Paulista 149 São Paulo SP CEP: 01311 000 [Estação Brigadeiro do metrô]
Contatos e Informações Extras
fone 11 2168 1777 fax 11 2168 1775

Anúncios

Hino Homérico a Selene

Selene é a deusa grega da lua. Outras divindades também são associadas à lua, como Hécate e Ártemis,  mas apenas Selene era reconhecida como a própria lua e assim cantada pelos poetas.  Em suas representações encontramos o símbolo do crescente lunar adornando sua cabeça. Algumas vezes ela aparece montando um cavalo ou conduzindo uma carruagem de cavalos alados. Seu consorte é Endymion. Colocado num sono perpétuo, Selene descia do céu todas as noites para observá-lo dormindo.

Abaixo transcrevo o Hino Homérico a Selene, junto com uma tradução que fiz em 2010.

Εἲς Σελήνην

μήνην ἀείδειν τανυσίπτερον ἔσπετε, Μοῦσαι,

ἡδυεπεῖς κοῦραι Κρονίδεω Διός, ἵστορες ᾠδῆς:

ἧς ἄπο αἴγλη γαῖαν ἑλίσσεται οὐρανόδεικτος

κρατὸς ἀπ᾽ ἀθανάτοιο, πολὺς δ᾽ ὑπὸ κόσμος ὄρωρεν

αἴγλης λαμπούσης: στίλβει δέ τ᾽ ἀλάμπετος ἀὴρ

χρυσέου ἀπὸ στεφάνου, ἀκτῖνες δ᾽ ἐνδιάονται,

εὖτ᾽ ἂν ἀπ᾽ Ὠκεανοῖο λοεσσαμένη χρόα καλόν,

εἵματα ἑσσαμένη τηλαυγέα δῖα Σελήνη,

ζευξαμένη πώλους ἐριαύχενας, αἰγλήεντας,

ἐσσυμένως προτέρωσ᾽ ἐλάσῃ καλλίτριχας ἵππους,

ἑσπερίη, διχόμηνος: ὃ δὲ πλήθει μέγας ὄγμος

λαμπρόταταί τ᾽ αὐγαὶ τότ᾽ ἀεξομένης τελέθουσιν

οὐρανόθεν: τέκμωρ δὲ βροτοῖς καὶ σῆμα τέτυκται.

τῇ ῥά ποτε Κρονίδης ἐμίγη φιλότητι καὶ εὐνῇ:

ἣ δ᾽ ὑποκυσαμένη Πανδείην γείνατο κούρην,

ἐκπρεπὲς εἶδος ἔχουσαν ἐν ἀθανάτοισι θεοῖσι.

χαῖρε, ἄνασσα, θεὰ λευκώλενε, δῖα Σελήνη,

πρόφρον, ἐυπλόκαμος: σέο δ᾽ ἀρχόμενος κλέα φωτῶν

ᾁσομαι ἡμιθέων, ὧν κλείουσ᾽ ἔργματ᾽ ἀοιδοί,

Μουσάων θεράποντες, ἀπὸ στομάτων ἐροέντων.

À Selene

Sobre a Lua de asas largas cantem, ó Musas,

donzelas de Zeus, filho de Cronos, de fala suave e sábias ao cantar:

A partir dela, uma cintilação manifesta no céu ondula até a Terra.

De sua cabeça imortal, um grande ornamento surge

Da cintilação brilhante: a densa e sombria atmosfera cintila

com seu anel dourado, os raios brilham como o dia

quando banham a bela pele de Oceano.

Vestida com roupas que brilham ao longe, a divina Selene,

que subjuga potros radiantes que arqueiam alto o pescoço,

que ela conduza impetuosamente para frente os cavalos de belas crinas!

Noturna, dividindo o mês: a grande órbita se realiza

e os raios mais brilhantes do céu quando são crescentes:

o objetivo é também causar sinais aos mortais.

Então, certa vez, o filho de Cronos misturou o amor e o leito:

Grávida, deu a luz a uma donzela, Pandia,

tendo uma aparência distinta entre os deuses imortais.

Alegre-se, rainha, deusa da noite, divina Selene,

graciosa, de belos cabelos. Começarei a cantar a glória de seu homem

semi-deus, os aedos, os companheiros das musas,

amantes da boca, a celebrar os feitos dele.

Trad. Beatris Gratti

Selene e Endymion, de Sebastiano Ricci (1659-1734).

Fórum Antiguidade Clássica e a Educação Atual

Gostaríamos de convidá-los para participar do Fórum Antiguidade clássica e a Educação atual, organizado pelo Centro do Pensamento Antigo (CPA-IFCH) e pelo Centro de Estudos Clássicos (CEC-IEL), a ocorrer no dia  31 de maio de 2012, no Auditório do Centro de Convenções da UNICAMP.

O Fórum tem como objetivo discutir como se inserem hoje em dia no ensino fundamental e médio temas e assuntos relacionados à Antiguidade clássica: a produção literária greco-romana, a História e Filosofia antigas. Ainda que latim e grego não façam parte do currículo do ensino básico, muitas obras da literatura antiga continuam sendo adaptadas para crianças, e a História e Filosofia antigas estão presentes em livros didáticos. Desse modo, um debate com profissionais da área se faz necessário no sentido de se discutir o lugar que ocupam no mundo atual os estudos sobre o mundo greco-romano em seus diversos aspectos históricos e culturais (literatura, língua, história, sociedade, filosofia etc.).

Inscrições no site: http://foruns.bc.unicamp.br/foruns/ (não é cobrada taxa de inscrição)

Segue abaixo e em anexo a Programação do Fórum.

Cordialmente,
Comissão Organizadora

PROGRAMAÇÃO DO FÓRUM

Antiguidade clássica e a Educação atual

– Unidade / Instituto: CEC-IEL / CPA-IFCH

– Data: 31 de maio de 2012

– Organizador(es): Profa. Dra. Patricia Prata (Diretora do CPA; IEL/Unicamp) e Prof. Dr. Flávio Ribeiro de Oliveira (Coordenador CEC – IEL/Unicamp)

Manhã

9 h – Abertura:

Integrantes da mesa: Coordenador-Geral da Unicamp, Prof. Dr. Edgar de Decca, Prof. Dr. Flávio Ribeiro de Oliveira (Coordenador CEC –IEL/Unicamp), Profa. Dra. Patricia Prata (Diretora do CPA; IEL/Unicamp), Prof. Prof. Dr. Pedro Paulo A. Funari (IFCH/Unicamp)

9h30 – Mesa: “A Filosofia Antiga para os adolescentes: o desafio de despertar para o antigo e imortal”

Palestrantes:

Prof. Dr. Renê J. T. Silveira (FE/Unicamp): “Abstrata, difícil, inútil: o preconceito contra a filosofia na Grécia Antiga”

Prof. Dr. Adilton Luís Martins (IFCH/Unicamp): “Adolescência contemporânea e o pensamento antigo”

Debatedor: Prof. Dr. Flávio Ribeiro de Oliveira (IEL/Unicamp)

10h30 – Pausa

11h00 – Mesa: “Aspectos da preparação e organização de material didático sobre a Antiguidade para o ensino fundamental e médio”

Palestrantes:

Prof. Dr. Glaydson da Silva (Unifesp). “A Antiguidade Clássica nos livros didáticos de História: análise conceitual, desdobramentos epistemológicos”

Profa. Dra. Raquel dos Santos Funari (Unicamp). “História Antiga na sala de aula: Egito, Grécia e Roma, discutindo propostas de aprendizagens”

Debatedora: Profa. Dra. Patricia Prata (IEL/Unicamp)

12h00 – 14h00 – Almoço

Tarde

14h00 – Mesa: “Estudos Clássicos na escola: algumas experiências didáticas”

Palestrante:

Prof. Dr. Alessandro Rolim de Moura (UFPR). “Grécia e Roma na escola: reflexões a partir de um projeto de extensão universitária”

Debatedor: Prof. Dr. Pedro Paulo A. Funari (IFCH/Unicamp)

15h00 – 15h30 – Pausa

15h30 – Mesa: “Adaptando clássicos gregos e latinos para crianças e adolescentes: breve relato sobre uma expriência de elaboração de material didático”

Palestrante:

Prof. Dr. Paulo S. de Vasconcellos (IEL/Unicamp). “Contra a simplificação excessiva na adaptação dos clássicos: relato de uma experiência pessoal”

Debatedores: Prof. Dr. Flávio Ribeiro de Oliveira (IEL/Unicamp) e Profa. Dra. Patricia Prata (IEL/Unicamp)

16h30 – Encerramento

Horácio, Ode II, 14

Belíssimo poema de Horácio, retirado do melancólico livro II das Odes, com a temática do memento mori, expressão comumente traduzida por “lembre-se da morte”.

Eheu fugaces, Postume, Postume,

labuntur anni nec pietas moram

rugis et instanti senectae

adferet indomitaeque morti,

non, si trecenis quotquot eunt dies,

amice, places inlacrimabilem

Plutona tauris, qui ter amplum

Geryonen Tityonque tristi

compescit unda, scilicet omnibus

quicumque terrae munere uescimur

enauiganda, siue reges

siue inopes erimus coloni.

Frustra cruento Marte carebimus

fractisque rauci fluctibus Hadriae,

frustra per autumnos nocentem

corporibus metuemus Austrum:

uisendus ater flumine languido

Cocytos errans et Danai genus

infame damnatusque longi

Sisyphus Aeolides laboris.

Linquenda tellus et domus et placens

uxor, neque harum quas colis arborum

te praeter inuisas cupressos

ulla breuem dominum sequetur;

absumet heres Caecuba dignior

seruata centum clauibus et mero

tinguet pauimentum superbo,

pontificum potiore cenis.

Ai, Póstumo, Póstumo, fugazes

escorrem os anos e nem a piedade trará

retardo às rugas e à iminente

velhice e à indômita morte,

nem, amigo, se em cada dia que se vai,

aplacares com trezentos touros

Plutão, ilacrimável, que confina

o trigigante Gerião e Tício

em suas fúnebres águas; ou seja, todos,

quem quer que dos dons da terra nos nutrimos,

terão de cruzá-la, quer reis

quer pobres colonos sejamos.

Em vão nos privaremos do cruento Marte

e das ruidosas vagas do rouco Adriático,

em vão, no outono, recearemos

o Austro, nocivo aos corpos:

teremos de ver o negro Cocito, vagando

em leito lânguido, e de Dânao a prole

infame e Sísifo Eólida,

condenado a longo labor.

Será desfeita a terra e a casa e tua agradável

esposa, e dessas árvores que cultivas,

salvo os odiosos ciprestes, a ti

nenhum seguirá, fugaz senhor.

Herdeiro mais digno consumirá teu Cécubo

guardado a cem chaves e tingirá

o pavimento com puro vinho soberbo,

melhor que a ceia dos pontífices.

(Tradução de Alexandre Piccolo)

Curiosidade: Há uma banda gótica austríaca chamada Dargaard que em 2001 musicou esse poema de Horácio. Veja abaixo um video feito com essa música.

Ode II 14 de Horácio por Dargaard